quinta-feira, 20 de maio de 2010

O “Bandido” e seus encantos


Lampião! Grito de dor, brado de guerra, chocalhar de dentes de tanto pavor, chispa de ódio, gemido de desalento, esturro de vaidade, lampejo de ambição, grandeza de valentia - signo de uma época, fim de uma era.

Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros[1]


O bandido, assim como o herói, se fazem cada vez mais presentes no cotidiano dos indivíduos. Muitos desses passam de uma existência real para uma ficcional – ou vice-versa - já que subjetivamente os sujeitos vão atribuindo a eles toda uma gama de narrativas e, sobre essas suas “histórias reais”, são criadas narrativas exóticas, heróicas, covardes, misteriosas, tentando, assim, legitimar o lado bom ou mal do bandido, o heróico ou o cruel.

Fato é que o herói e o bandido são faces de uma mesma moeda e a maior parte deles são admirados no Ocidente. Quem, nos seus tempos de criança, não se viu encantado ou boquiaberto assistindo, no cinema ou na televisão, os filmes de faroeste americano, onde os trajes típicos dos “mal-feitores” e do Xerife fascinavam em meio ao ambiente desértico? A ousadia dos assaltos, o linguajar típico, os constantes roubos de comboios e de “mocinhas inocentes” nos deixavam atônitos nas poltronas, enquanto na tela, entre tiros - às vezes certeiros outros não –, aqueles “camaradas”, que roubavam por longo tempo nossa atenção, iam embora montados nos seus cavalos deixando para trás somente a poeira que levantava quando rompiam rapidamente os caminhos íngremes.

Bestificados ficávamos admirando aqueles “foras-da-lei” e, no nosso cotidiano íamos gradativamente alimentando esta admiração sem sabermos o porquê. Muitas vezes queríamos transportar, das telas, uma figura fictícia para a vida real, quem sabe para que eles pudessem vir a fazer a justiça que tanto almejamos. Mas nem só de figuras do cinema Hollywoodiano vive o homem!

A maior parte das vezes a ficção parte da vida real, de sujeitos que viveram em uma temporalidade específica, bandidos que, no seu tempo, foram amados e odiados ao extremo. Muitos se tornaram, posteriormente, mitos, servindo de exemplo de luta para aqueles que querem ver uma sociedade melhor e contestam a força despótica do Estado. Esses se apropriam da história desses bandidos elevando-os a uma nova categoria, ressignificando-os e usando-os como bandeira de luta.

Outras vezes, o bandido temido torna-se o santo milagroso, aquele que ouve o clamor dos sofredores e intercede ao Sagrado em favor dos “miseráveis mortais”. Tornam-se santos extremamente populares – sem serem beatificados oficialmente – por serem identificados pelo “povo sofredor” como alguém que viveu as agruras e incertezas que cercam a vida humana; que tiveram uma vida sofrida e, mesmo que nela tenham trilhado um caminho errante, mereceram o perdão, alcançado, muitas vezes, devido à crueldade da morte que lhes foi imposta. A morte seria, assim, um meio de purgar todos os seus pecados e erros.

Não sabemos ao certo o que chama a nossa atenção sobre um tema tão violento e regado de sangue como o cangaço, talvez ele esteja tão vivo na nossa subjetividade por representar a coragem que nunca tivemos, a ousadia reprimida, o desejo de mudança de um sistema.

Prof. Wescley Rodrigues



[1] BARROS, Luitgarde Oliveira Cavalcanti. A Derradeira Gesta: Lampião e Nazarenos guerreando no sertão. 2.ed. Rio de Janeiro: Mauad, 2007. p. 79.





sexta-feira, 9 de abril de 2010

Só para refletir...

Enquanto... Fernando Pessoa



Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.

Saudade - Pablo Neruda

Saudade é solidão acompanhada,
É quando o amor ainda não foi embora,
Mas o amado já...

Saudade é amar um passado
Que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe
O que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
É a dor dos que ficaram para trás,
É o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
Aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
Não ter por quem sentir saudades,
Passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Há Momentos – Clarice Lispector


Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O PODER DO DINHEIRO NA SOCIEDADE


Na complexa trama que rege a sociedade, podemos perceber que a cada dia o dinheiro está sendo o grande “carro chefe” que dita as regras da vida dos homens. Inebriados e perpassados por essa dinâmica do Capital, sentimos cada vez mais o apelo ao consumo, ao acumulo excessivo e desenfreado de riquezas financeiras.


Nesse contexto, coisas que durante séculos foram tidas como essenciais estão sendo colocadas à margem em favor das necessidades mais imediatas e do conforto que o dinheiro pode nos proporcionar. Partindo dessa perspectiva poderíamos nos perguntar: “Qual lugar o dinheiro ocupa nas nossas vidas?”.


Esse questionamento apesar de simples pode gerar inúmeros conflitos internos nos indivíduos a partir do momento que eles partindo de uma reflexão honesta, cheguem ao diagnostico que estamos transformando-nos em meras máquinas de produzir dinheiro. Nos entregamos ao que dita o mercado e o sistema e vamos deixando de lado coisas essenciais como as amizades, o amor, a honestidade, a ética, a fé, a esperança.


A cada dia que passa, vemos com clareza que nossas esperanças estão sendo depositadas no dinheiro: “Eu tenho, eu posso!”. O dinheiro tornou-se sinônimo de poder, com ele podemos comprar tudo e todos. Para alcançarmos esse “ter” tão valorizado e essencial como o próprio ar que respiramos, não medimos esforços, mesmo que para isso tenhamos que passar por cima de todo o conjunto ético que pela tradição social nos foi legado por aqueles que nos antecederam. A ética tão necessária para a sustentação coerente de uma sociedade está ameaçada, sua rigidez está sendo lapidada para ceder lugar a uma “ética maleável”, conceito esse último que seria contra tudo aquilo que os filósofos pensaram.


As amizades estão sendo construídas quase como são traçadas as relações comerciais, sendo que os sujeitos estão na maioria das vezes interessados em saber com clareza em quê serão beneficiados. O amor se banaliza a cada momento, não se busca mais uniões que possam servir de amparo durante os momentos de intempéries da vida, onde se possa compartilhar as alegrias e construir uma descendência. Tudo está muito solúvel, estamos regredindo aos tempos onde os matrimônios se faziam baseados em relações financeiras de interesses, no qual se buscava consolidar riqueza ou interesses políticos entre famílias poderosas.


Acredito que seja oportuno salientarmos as concepções de Zigman Bauman, quando ele afirma que estamos vivendo no mundo do líquido, onde tudo é passageiro e nada é sólido. As relações sociais acabam por está sendo costuradas pela linha do lucro e do beneficiamento próprio e imediato. Os sujeitos estão tornando-se fragmentados, sem identidade, sem raízes.


É essa falta de identidade que está gestando grande parte dos problemas da nossa sociedade. Não há mais uma identificação entre os homens, parece que a caridade foi sepultada e descansa sob uma fria lápide. Perdemos a capacidade de nos condoermos com os problemas dos outros, de sermos solidários com aqueles que precisam, de lutarmos por objetivos concretos e uma sociedade melhor e mais igualitária. Será se não estamos decretando o fim dos nossos sonhos?


A partir do momento que o dinheiro e o poder que esse proporciona está sendo a meta de nossas vidas, a grande razão de vivermos, estamos automaticamente decretando a nossa mesquinhez espiritual e mental. Claro que o dinheiro é necessário para sobrevivermos em sociedade já que, estamos regido por um sistema capitalista que baseia-se nesse como mola mestra, mas não podemos colocar o dinheiro acima de todas as coisas e supervalorizá-lo.


Enquanto permanecermos colocando o dinheiro como o nosso deus não teremos como construir um mundo melhor para se viver, e estaremos adentrando de forma mais rápida no poço do individualismo que gera solidão e depressão, distanciando-nos de nossa própria essência que é o amor. Devemos ser senhor do dinheiro e não deixarmos que esse se torne o nosso senhor e vivamos em função dele. No momento em que tomarmos consciência disso estaremos promovendo uma incipiente revolução social e galgando a construção de uma sociedade melhor de se viver.

Prof. Wescley Rodrigues




terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

AS MARCAS QUE EU NÃO VIA - ALESSANDRA SAMADELLO


A marca de tua mão
A marca no pé frio
A marca de sua fronte em dor
Concede-me viver.

A marca que sangrou
Correndo como um rio
Regava de esperança e paz
Meu frágil coração.

Meu Deus me explica esse amor
Meu Deus que dor
Sua vida por mim entregou
Meu Deus me explica esse amor.

A marca que eu não via
Meu coração tocava
E pela morte me guiou
E então me sustentou.

Começo a entender
Tão grande sacrifício
Pois hoje sei que pela dor
Recebo seu amor.

Meu Deus me explica esse amor
Meu Deus que dor
Sua vida por mim entregou
Meu Deus me explica esse amor.

Só agora posso ver tua dor meu Cristo
Por seu sangue fui ressuscitado então
Que honra é poder te conhecer
Ser então pregado ao seu lado.

Meu Deus me explica esse amor
Meu Deus que dor
Sua vida por mim entregou
Meu Deus me explica esse amor.
Me explica esse amor
Meu Deus que dor
Sua vida por mim entregou
Meu Deus me explica
Meu Deus me explica
Meu Deus me explica esse amor.